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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Oi, meu nome é Carlos Eduardo e vou contar uma historia a você...

            Num dia chuvoso e escuro decidi viajar. Estava no meio do nada quando meu carro parou de repente. Fiquei com medo do que podia me acontecer. Avistei uma casa um pouco longe do local onde eu estava, e empurrei meu carro até aquela casa grande, velha e toda cercada de mato. Bati na porta e uma velha senhora de olhar simpático me atendeu, contei a ela o que havia acontecido, e não tinha onde dormir, então ela me ofereceu um quarto e um prato de comida.
Fui para o quarto dormir, estava tudo muito quieto. De repente, uma porta bateu com muita força, eu me levantei para ver o que tinha acontecido. Andei pela casa toda e não vi ninguém. Quando voltei para o meu quarto, vi que minha janela estava aberta, fiquei com tanto medo que logo fui dormir. Pela manhã, acordei e a velhinha estava sentada me olhando dormir. Fiquei assustado com o jeito que ela me olhava. Não consegui entender o que ela queria comigo, então ela me chamou, e falou que já haviam arrumado o meu carro e que eu podia ir embora, mas fiquei pensando. Por que ela queria que eu fosse embora com tanta pressa? Imaginei que havia algo que ela não queria que eu visse. Ela me deixou tomando café sozinho e foi para o celeiro. Eu a segui, sem deixar ela me ver e entrei. No celeiro, a senhora me pegou de surpresa. Eu vi muitas pessoas mortas naquele lugar. Ela, provavelmente, achou que eu quisesse me meter e por isso havia me mandado embora. Ela falou com uma voz muito triste e vingativa que eu tinha que morrer, então comecei a correr, mas não deu tempo, haviam três homens ajudando-a. Eles me pegaram e foi o meu fim.           

Autora: Jennifer Luana

A POUSADA ABANDONADA

Era época de primavera. Thais, Thainara e Larissa haviam combinado um fim de semana junto. Elas iam para um hotel, mas no caminho avistaram uma pousada. Thais já estava cansada de tanto dirigir, foi então que decidiram passar a noite nessa pousada. Quando entraram lá ficaram arrepiadas, pois a vista era assustadora. Mesmo assim, continuaram com a idéia de ficar lá.   Quando tudo já estava arrumado e elas já estavam deitadas, uma senhora com roupas escuras e com o rosto pálido bateu na porta desesperada. Ela disse que era para as meninas saírem dalí o mais rápido possível, pois todos que haviam visitado aquela pousada morreram. 

As meninas ficaram desesperadas e não sabiam mais o que fazer, mas os minutos foram se passando e elas foram ficando mais calmas. De madrugada, Thais e Larissa acordaram-se com berros. Elas foram chamar Thainara, mas ela não estava em sua cama.  Quando elas desceram as escadas, Thainara estava sendo torturada. Muito assustadas Thais e Larissa agiram sem pensar nas consequências e agrediram com violência quem estava maltratando Thainara. Quando a pessoa desmaiou, elas aproximaram-se para ver o rosto e qual não foi a surpresa ao descobrirem que era a senhora que havia avisado a elas para que não dormissem ali.
Sem entender a situação, elas ligaram para a polícia. Quando a senhora acordou, ela não lembrava de absolutamente nada. Os policiais conversaram com ela e explicaram a situação, ela negou tudo, mas logo em seguida caiu aos prantos em um choro constante. Ela falou que tinha problemas, que já havia ido ao médico para se tratar, mas que com o tempo acabou desistindo.
            Naquela noite, a senhora que se chamava Beth, passou a noite na cadeia. Thais e Larissa levaram Thainara para um hospital. No dia seguinte, quando elas já estavam em casa a polícia ligou e disse que eles encaminharam dona Beth para ser internada em uma clínica para pessoas que sofrem de problemas de memória como ela.
            Dias se passaram, mas será que essa senhora vai voltar a aterrorizar aquela pousada?  Bom, isso só o tempo vai dizer!


 Autora: Thais Farias Braz    

O JARDIM

         09 de Junho de 1963. Nesse dia John jurou se vingar de sua esposa, Sophie Wilkinson. O motivo da vingança? Traição. Ele havia descoberto, mas ela não sabia. Então, ele levou sua esposa para passar um final de semana na casa de seu avô, já falecido, George Wilkinson. John Wilkinson era um homem calmo, mas jurou matar sua mulher, pois não aceitava a traição. Ao chegarem a casa, que ficava no Mississipi e se localizava em um lugar mais afastado de frente para um lago, ele mostrou a casa para sua mulher. A casa era linda por fora, mas assustadora por dentro, pois foi ali mesmo na sala, que George Wilkinson foi morto pelo próprio neto, Orlando irmão de John. Orlando após matar o avô com dois tiros, um no peito e outro no abdômen, se matou com um tiro na cabeça.

        A casa era fria, escura, assustadora e silenciosa, as vezes dava medo e outrora era perturbador. Sophie e John deixaram as malas em um canto do quarto e caíram em um sono profundo. Logo pela manhã, eles acordaram cedo, tomaram café e foram ao jardim, que ficava atrás da casa. Sophie admirava o jardim, um belo jardim cheio de rosas.
       Enquanto ela olhava para o jardim, John decidiu colocar seu plano de vingança em ação. Ele pegou uma pá e aproximou-se de Sophie, chamando-a. Ela estava de costas para ele, virou-se e ele lhe deu um tapa na cara com as costas da mão, fazendo-a cair. Ao ver o marido com a pá na mão ela ficou desesperada, já imaginando o motivo da reação dele. Ele deu um passo em sua direção e o coração dela começou a bater mais forte. A cada passo dele o coração dela batia mais rápido e mais forte. Quando ele finalmente chegou ao lado de Sophie, ele colocou a pá no pescoço dela e falou :
- Adeus Sophie!
        O olhar dela era de desespero. Com um golpe rápido e certeiro com a pá, ele arrancou-lhe a cabeça que saiu rolando e foi parar no meio do jardim. Depois de matar a própria esposa, John jogou o corpo dela no lago, pegou uma pedra e jogou em cima do corpo de Sophie. Após o acontecimento, John Wilkinson voltou a sua vida normal, mas com uma diferença: vivendo na casa de seu avô.


Autora : Larissa Spézia  

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A CASA FANTASMA

Os fatos que vou contar é sobre uma casa, misteriosa e assustadora, onde ninguém tinha coragem de entrar. Muitas pessoas diziam que esta casa tinha uma lenda, esta lenda dizia que a casa tinha um fantasma que morava nela. Quem teve a coragem de entrar na casa já mais saiu, as pessoas que passavam por perto se aterrorizavam com os gemidos que ouviam vindo da casa.
            Certo dia tinha um menino jogando bola na frente dela, ele era novo na região, não sabia nada sobre os mistérios da casa, até que um certo momento desta brincadeira o menino deu um chute muito forte na bola e ela acabou entrando na casa. Ele, sem saber o risco que corria, acabou entrando dentro da casa para pegar sua bola. Quando ele começou a procurau, escutou um gemido vindo do porão. Bastante corajoso, foi ver o que estava gemendo tanto. Quando ele chegou no porão, não conseguia ver nada, só ouvir os gemidos.  Começou a andar e viu perto da janela uma caixa. Ele pegou essa caixa e abriu pra ver o que tinha nela. Quando ele puxou a tampa, viu um monte de gatinhos gemendo de fome.

Autor: Samuel Alexandre Ovinski

A CASA DO LAGO

Era uma casa feita sobre um orfanato, sua cor era um branco meio fosco. Essa casa foi testemunha de várias mortes. Podia relatar todas, mais não tenho tempo. Certo dia resolvi investigar jornais velhos para ver sua história, até que eu achei uma pista: da família que construiu a casa, morreram todos cegos.
            Resolvi entrar na casa para ver. Foi a pior ideia da minha vida. Peguei uma lanterna e fui. Entrei pela porta misteriosa, lá tinha um cheiro de mofo, havia tábuas soltas no chão, tinha um papel florido na parede, quadros na sala de estar. Eu moraria ali, não fosse sua história maldita.
            Não me assustei muito, até que entrei em um quarto de criança e, de repente, as bonecas daquele quarto começaram a virar as cabeças, olhando fixamente para mim! Aquilo arrepiou os pelos do meu braço.
            Dei dois passos para trás e vi uma garota toda machucada, com uma grande ferida no rosto. Meu coração disparou e saí correndo e, de repente, a porta fecha, a menina desce as escadas.

Autor: Matheus Nicollas Ivakoski Dos Santos

A ÚLTIMA CASA

Jonas era um pai de família, que perdeu sua filha e sua esposa em um navio que sumiu e nunca mais voltou. Desde então Jonas passou a ser um pesquisador de mistério. Ele pegou seu equipamento e foi para uma casa assombrada, que ficava em uma vila bem afastada da cidade grande. Naquela vila tinha apenas uma casa, a casa dos Wilson. Todos falavam que era mal- assombrada, porque todos da família Wilson morreram naquela casa, mas ninguém descobriu como eles morreram.
            Certa vez, uma família foi se hospedar na casa, mas eles não sabiam que ela mal-assombrada, a família via que era só uma casa velha. Passaram-se duas semanas e todos morreram e ninguém sabia o porquê.
            Jonas disse que ficaria duas semanas na casa, queria saber o que estava havendo naquela casa. Passa a primeira semana. Indo para a segunda semana, ele começou a ouvir barulhos estranhos, ficou louco e desapareceu. Nunca mais ninguém ouviu falar nele, o pesquisador de mistérios.                  

Autor: Anderson Luiz de Andrade

A CASA DO TERROR

Eu morava com meu marido na cidade de Antônio Carlos, mas tivemos que nos mudar. Fomos para uma casa em um sítio e adoramos o lugar. Na segunda semana da mudança, após nos instalarmos, comecei a ouvir barulhos esquisitos como gritos, mas meu marido falou que podiam ser árvores e esquilos. Não acreditei.
No dia seguinte, quando ele saiu para trabalhar, fui limpar a casa e assim que entrei na sala, notei que pela parede escorria uma ''gosma''. Quando meu marido voltou, aquela gosma ainda estava lá, chamei ele correndo, mas assim que ele chegou na sala, não tinha mais nada. Ele falou que eu devia estar nervosa. Estava, na verdade, me chamando de louca! E eu tentei esquecer.
Mais um dia se passou, e novamente a gosma apareceu. Fiquei com muita raiva, sentia como se a casa estivesse brincando comigo. Então gritei muito e senti o ''fogo da raiva'' subir. Quebrei uma tábua do assoalho e de repente, minhas fotos e móveis começaram a pegar fogo. Com raiva continuei a arrancar tábuas e o lustre caiu em minha cabeça. Desmaiei. Quando acordei estava ao lado de meu marido, ele estava me ajudando. A expressão do rosto dele era de pavor, ao ver tudo destruído me perguntou o que havia acontecido, respondi que era culpa da casa. Ele não falou nada...
Hoje estou em um hospício, mas garanto que não sou louca!

Autora: Thainara dos Passos Oliveira

A ASSOMBRADA

O fato que vou contar é sobre uma garota. Esta menina morava em uma casa que ficava no meio do mato, perto de um lago. A casa era meio assustadora, mas ninguém de fato sabe a verdadeira história que esta menina tem. Muitos dizem que moravam três pessoas naquela casa: a mãe, o pai e a filha. Dizem que a menina era muito revoltada e não falava com ninguém, nem mesmo com os próprios pais. Alguns diziam que a menina era apenas tímida, mas tinha gente que dizia que a menina era perseguida por espíritos desde pequena. Esta menina sem saber criou um tipo de lenda de sua própria vida.
Muita pessoas dizem que todas as noites, assombrações de todo o tipo aterrorizavam a pequena, mas nunca ninguém conseguiu provar alguma coisa, nem mesmo a menina. Tentaram fazer várias coisas para ver a assombração, mas todas as tentativas deram errado. Por isso fica a lenda, com começo e sem fim.

Autora: Maria Eduarda Mota

VOCÊ ESTÁ NO LUGAR ERRADO

Numa noite escura, árvores batiam com vento da noite, havia uma lua cheia e barulhos terríveis que vinham da mata. Tudo estava tão perigoso e assustador. Eu estava de carro para chegar em casa, até que começou a faltar gasolina e o carro começou a parar. Então o carro parou em frente a uma casa abandonada. Saí do carro e fui até aquela casa. Quando cheguei lá havia uma faca na porta, então eu peguei aquela faca para me defender, caso acontecesse alguma coisa.
Lá na casa havia ossos no chão, sangue para todo o lado, mas o pior de tudo é que havia um animal terrível dentro daquela casa, esse animal parecia um cachorro. Era um bicho de quatro patas, mas a pele dele era em carne viva e não havia pelos nele, era terrível!
Foi então que ele me atacou e me mordeu, então aquela faca que havia na minha mão me fez acreditar que eu pudesse matar aquela criatura, e tremendo dei algumas facadas no animal, que caiu e morreu. Quando eu já estava saindo daquela casa, completamente apavorado, não consegui abrir a porta, foi terrível! Vinha em minha direção um monstro horrível que eu não conseguia ver direito, por causa da escuridão, então esse monstro começou a correr atrás de mim. Foi quando eu dei as facadas nele e ele morreu. Arrombei a porta e fui embora correndo e apavorado.
   
Autora: Tainá Lemos

A CASA DE ILUSÕES

Eu não queria mais viver aquilo. Eram noites e noites em claro. Eu sabia, que tão cedo não iria acabar. É só na minha casa... por quê? Minha mãe diz que é uma simples ilusão, que eu estou vendo coisas, mas sei que não. Desde que me mudei pra essa casa, comecei a ver coisas onde não tem. Mas... tem uma coisa que me agonia... eu sinto uma presença dentro do meu quarto, parece que tem alguém me olhando. Já fui em psicólogo pra ver se eu estava ficando realmente louca, mas não, nada consta.
Já é de muito tempo isso, mas eu nunca pensei em perguntar pra minha mãe quem tinha morado antes naquela casa horrenda. Na mesma hora que tive essa ideia, fui correndo falar com minha mãe, pra minha sorte ela não estava em casa... Eu estava SOZINHA! Claro, sem dúvidas entrei em desespero. Eu nunca tinha ficado em casa sozinha, pelo menos não que eu saiba, talvez ela tenha feito isso pra eu ver que isso era apenas uma coisa da minha cabeça. Não tive coragem de ficar ali. Fui correndo para casa da minha amiga ao lado. Contei tudo pra ela.
            Ela me lembrou que a mãe dela lia cartas e aproveitamos pra ver o que estava acontecendo. Ela viu, falou um monte de coisas e eu não fazia a menor ideia do que ela estava falando. Demorou... demorou... até que ela disse:

- Já sei! Você tem alguém muito importante na família que morreu?

Eu pensei, pensei, mas na hora não me veio à cabeça. Ela disse:

- É isso que está acontecendo, essa pessoa está aqui para te proteger.

Depois que ela me disse isso, fiquei pensando por muito tempo e no fim descobri que essa pessoa que veio pra me proteger era minha vó! Nossa, quando eu lembrei fiquei muito feliz, tão feliz que fui correndo contar para minha mãe o que havia acontecido, que aquele medo era apenas minha avó querendo me proteger. Quando cheguei lembrei que minha mãe não estava em casa, mais mesmo assim não fiquei com medo, pois sabia que era apenas minha avó. Demorou um pouco, mas ela voltou e contei tudo pra ela. Ela não acreditou muito, mais o que importa é que meu medo foi embora.

Autora: Maria Eduarda Cunha de Freitas

O PESADELO

Em uma noite de lua cheia, um rapaz chamado Murilo estava passando pela frente de uma casa abandonada. Como estava com muita fome e sede, resolveu entrar na casa para ver se lá tinha alguma coisa pra beber ou comer. A casa era muito velha, parecia casa de filme de terror. Mas apesar de tudo ele fica lá dentro, para visualizar tudo. O rapaz ficou muito assustado com aquela casa, ela tinha um som estranho que pareciam passos de pessoas. Depois de algumas horas o Murilo estava começando a ter alucinações: ele viu uma senhora que parecia ter morado ali antigamente.
O dia estava quase amanhecendo e Murilo ficava mais assustado ainda, em poucos minutos ele dormiu e sonhou com aquela senhora. No sonho dele a senhora sempre tentava o matar. Ele, muito assustado, fugiu daquele abrigo assombrado e foi até a delegacia, mas não tinha ninguém lá. Então ele esperou, queria falar para alguém que a senhora estava a persegui-lo. Ela tentava o matar para se vingar da sua morte. No momento que ele encontra um policial, que havia acabado de chegar, Murilo perguntou como a senhora daquela casa tinha morrido. O policial falou para ele que ela tinha sido assassinada e explicou que ela tinha sido morta com três tiros e depois foi cremada, quando o rapaz soube da morte dela ficou muito assustado porque quem a matou era uma pessoa da sua família. O policial levou Murilo até um hotel, chegando lá ele foi dormir. Enquanto dormia, ele sonha com a senhora de novo e acorda todo assustado. No dia seguinte ele vai tomar um banho na piscina do hotel e vê uma alucinação da senhora e cai na piscina e morre afogado.     

Autor: Felipe Magalhães dos Santos

CASA DE ASSOMBRAÇÃO

Daniel era um homem que não acreditava em espíritos. Ele tinha 18 anos de idade e morava sozinho, numa casa antiga que havia herdado da avó. Um dia Daniel estava no quarto assistindo a um filme de comédia, quando ouviu um passo no chão de madeira solta, mas ele não ligou. Quando uma parte do filme é legal, ele começa a rir e a televisão desliga e na porta aparece uma mulher com o cabelo preto e com limo na roupa branca. Um segundo depois, ela sai da porta. Ele fica muito assustado. Na cozinha a chave do carro cai do balcão enquanto Daniel estava dormindo. De manhã quando ele acorda e vai pegar a chave para ir à venda comprar pão, ele fica se perguntando como a chave foi parar no chão. Nessa hora, algo dá a descarga e ele vai até o banheiro, olha no chão e vê um bilhete. No bilhete estava escrito: “Eu quero você.” Daniel fica muito assustado com aquilo e pensa em ir embora dali. Mas algo entra no corpo dele e ele começa a dizer que vai ficar, se deita na cama e dá uma risada. No outro dia ele acorda e não se lembra do que aconteceu, ele olha na porta e vê uma sombra. À tarde, ele bota um monte de talco no chão e vai dormir. Quando acorda, vê pegadas no chão. São pegadas de três dedos. Ele segue essas pegadas, que param no sótão. Lá ele encontra uma foto de quando ele era pequeno, toda queimada. Mas tarde ele começa a se bater e de repente, alguma coisa o joga contra a parede. Ninguém mais teve notícia de Daniel. Na parede estava escrito em sangue: “O próximo é você”.
Essa história foi um fato real ocorrido nos Estados Unidos em 1996. Ezequiel escreveu esta história na escola com 14 anos, em 2010.

Autor: Ezequiel Correa Figueredo

NOITE MALDITA

Eu morava numa ótima casa com minha família. Tínhamos tudo, mas meus filhos queriam morar em um lugar maior. Um dia cheguei em casa com uma novidade: havia comprado uma casa nova para morarmos. Meus filhos pulavam de alegria com a notícia e eu, meu marido e meus filhos nos mudamos para a nova casa. O antigo dono disse que a casa era assombrada pelo espírito de sua esposa e falou para não entrarmos no quarto de hóspedes. Meus filhos ficaram com medo, mas eu e meu marido falamos que era brincadeira daquele homem. Passaram vários dias até que meu marido comentou sobre algo que acontecia durante a noite na casa:

- Meu amor, estão acontecendo coisas estranhas na casa...
- Que tipo de coisas? – perguntei.
- As janelas se abrem sozinhas e o Braian está com umas manchas no corpo.

A cada noite ficava pior, pois Braian estava ficando doente e só piorava. Até que um dia ele morreu. Eu achei que estava ficando louca, sabia que havia algo muito errado, porque os médicos não sabiam a causa da morte do meu filho. O tempo passou e fomos vivendo a vida. Mas então, minha filha Elena ficou doente. Aí me lembrei do que o antigo dono tinha falado do quarto. Fiquei intrigada com isso e decidi entrar no quarto:

- Nossa! Que cheiro ruim! Parece que morreu alguém aqui.  

Vi uma mancha de sangue no chão e resolvi ficar no quarto. Passei a noite vigiando aquele quarto cheio de sangue. Enquanto eu tocava em tudo, vi que havia uma parede oca, então quebrei a parede e encontrei duas crianças mortas e um saco preto. Mexi no saco e vi vários pedaços de um corpo. Apavorada e aterrorizada, corri e contei tudo para meu marido. Ligamos para a polícia e quando ela apareceu, não foi só um corpo que encontramos, mas um bilhete escrito:

“Eu o matei porque os amava demais. Eu amava minha esposa, mas ela mereceu isso. Espero que quando lerem este bilhete eu já esteja longe, contudo estou triste pelo que fiz.”

Então resolvemos ir embora, fomos morar em outro lugar. Até hoje me pergunto qual era a doença do meu filho e a causa de sua morte.

Autora: Michele Alves

A CASA ASSOMBRADA

Gostaria de viver numa casa que não fosse de dar medo, acho que essa casa tinha alguma maldição, será? Se for, ainda não sei, mas com o decorrer do tempo quero descobrir. Nessa casa morava uma família enorme, e todos os dias acontecia alguma coisa, a família se perguntava o que era, mas ainda ninguém sabia. É uma casa velha, cheia de mistérios para ser descobertos. Passaram-se dias e dias e o mistério foi se revelando devagar. Uma das primeiras coisas que aconteceu naquela casa é que a noite, as janelas se abriam, minha irmã ficava se perguntando, o que será que está acontecendo, mas como ela era bem pequena voltava a dormir. Surgiram manchas em seu corpo, as cobertas caiam no chão, ela ficava com frio e se levantava durante a noite para se cobrir novamente. Também escutava vozes que choravam e gritavam o seu nome. Cada dia acontecia algo diferente, manchas roxas em seu corpo, a porta do guarda-roupa se abria, as roupas caiam no chão.
No final das contas não sei se tudo isso foi verdade ou se foi apenas uma imaginação “maluca”. Fui internada, pois tudo aquilo era uma loucura que estava acontecendo comigo, minha irmã já tinha morrido na barriga de minha mãe.

Autora: Estfani Amaral Savedra

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O barril de Amontillado

Suportara eu, enquanto possível, as mil ofensas de Fortunato. Mas quando se aventurou ele a insultar-me, jurei vingar-me. Vós, que tão bem conheceis a natureza de minha alma, não havereis de supor, porém, que proferi alguma ameaça. Afinal, deveria vingar-me. Isso era um ponto definitivamente assentado, mas essa resolução, definitiva, excluía idéia de risco. Eu devia não só punir, mas punir com impunidade. Não se desagrava uma injúria quando o castigo cai sobre o desagravante. O mesmo acontece quando o vingador deixa de fazer sentir sua qualidade de vingador a quem o injuriou. Fica logo entendido que nem por palavras nem por fatos dera causa a Fortunato de duvidar de minha boa-vontade. Continuei, como de costume, a fazer-lhe cara alegre, e ele não percebia que meu sorriso agora se originava da idéia de sua imolação. O Fortunato tinha o seu lado fraco, embora a outros respeitos fosse um homem acatado e até temido. Orgulhava-se de ser conhecedor de vinhos. Poucos italianos têm o verdadeiro espírito do "conhecedor". Na maior parte, seu entusiasmo adapta-se às circunstâncias do momento e da oportunidade, para ludibriar milionários ingleses e austríacos. Em matéria de pintura e ourivesaria era Fortunato, a igual de seus patrícios, um impostor; mas em assuntos de vinhos velhos era sincero. A este respeito éramos da mesma força. Considerava-me muito entendido em vinhos italianos e sempre que podia, comprava-os em larga escala. Foi ao escurecer duma tarde, durante o supremo delírio carnavalesco, que encontrei meu amigo. Abordou-me com excessivo ardor, pois já estava bastante bebido. Estava fantasiado com um traje apertado e listado, trazendo na cabeça uma carapuça cônica cheia de guizos. Tão contente fiquei ao vê-lo que quase não largava de apertar-lhe a mão. E disse-lhe:

- Meu caro Fortunato, foi uma felicidade encontrá-lo! Como está você bem disposto hoje! Mas recebi uma pipa dum vinho, dado como Amontillado, e tenho minhas dúvidas.
- Como? disse ele. - Amontillado? Uma pipa? Impossível. E no meio do carnaval!
- Tenho minhas dúvidas, - repliquei - mas fui bastante tolo para pagar o preço total do Amontillado sem antes consultar você. Não consegui encontrá-lo e tinha receio de perder uma pechincha.
- Amontillado!
- Tenho minhas dúvidas.
- Amontillado! - E preciso desfazê-las.
- Amontillado!
- Se você não estivesse ocupado... Estou indo à casa Luchesi. Se há alguém que entenda disso, é ele. Haverá de dizer…
- Luchesi não sabe diferençar um Amontillado dum Xerex.
- No entanto, há uns bobos que dizem por aí que, em matéria de vinhos, vocês se equiparam.
- Pois então vamos.
- Para onde?
- Para sua adega.
- Não, meu amigo. Não quero abusar de sua boa-vontade. Você está ocupado. Luchesi...
- Não estou ocupado, coisa nenhuma... Vamos.
- Não, meu amigo. Não é por isso, mas é que vejo está fortemente resfriado. A adega está duma umidade intolerável. Suas paredes estão incrustadas de salitre.
- Não tem importância, vamos. Um resfriado à-toa. Amontillado! Acho que você foi enganado. Quanto a Luchesi, é incapaz de distinguir um Xerez dum Amontillado.

Assim falando, Fortunato agarrou meu braço. Pondo no rosto uma máscara de seda e enrolando-me num rocló, deixei-me levar por ele, às pressas, na direção do meu palácio. Todos os criados haviam saído para brincar no carnaval. Dissera-lhes que só voltaria de madrugada e dera-lhes explícitas ordens para não se afastarem de casa. Foi, porém, o bastante, sabia, para que se sumissem logo que virei as costas. Peguei dois archotes, um dos quais entreguei a Fortunato, e conduzi-o através de várias salas até a passagem abobadada que levava à adega. Desci à frente dele uma longa e tortuosa escada, aconselhando-o a ter cuidado. Chegamos por fim ao sopé e ficamos juntos no chão úmido das catacumbas dos Montresors. Meu amigo cambaleava e os guizos de sua carapuça tilintavam a cada passo que dava.

- Onde está a pipa? - perguntou ele.
- Mais para o fundo, - respondi - mas repare nas teias cristalinas que brilham nas paredes desta caverna.

Ele voltou-se para mim e fitou-me bem nos olhos com aqueles seus dois glóbulos vítreos que destilavam a reuma da bebedice.

- Salitre? - perguntou ele, por fim.
- É, sim - respondi. - Há quanto tempo está você com essa tosse?
- Eh! Eh! Eh! Eh! Eh! Eh! Eh!... - pôs-se ele a tossir, e durante muitos minutos não conseguiu meu pobre amigo dizer uma palavra. - Não é nada - disse ele, afinal.
- Venha - disse eu, decidido. Vamos voltar. Sua saúde é preciosa. Você é rico, respeitado, admirado, amado. Você é feliz como eu era outrora. Você é um homem que faz falta. Quanto a mim, não. Voltaremos. Você pode piorar e não quero ser responsável por isso. Além do quê, posso recorrer a Luchesi...
- Basta! - disse ele. - Essa tosse não vale nada. Não me há de matar. Não é de tosse que hei de morrer.
- Isto é verdade… isto é verdade... - respondi - e, de fato, não era a minha intenção alarmá-lo sem motivo. Mas acho que você devia tomar toda a precaução. Um gole deste Médoc nos defenderá da umidade.

Então fiz saltar o gargalo duma garrafa que retirei duma longa pilhada no chão.

- Beba - disse eu, apresentando-lhe o vinho.

Levou a garrafa aos lábios, com um olhar malicioso. Calou-se um instante e me cumprimentou com familiaridade, fazendo tilintar os guizos.

- Bebo pelos defuntos que repousam em torno de nós - disse ele.
- E eu para que você viva muito.

Pegou-me de novo no braço e prosseguimos.

- Estas adegas são enormes - disse ele.
- Os Montresors eram uma família rica e numerosa - respondi.
- Não me lembro quais são suas armas.
- Um enorme pé humano dourado em campo blau; o pé esmagando uma serpente rastejante cujos comilhos se lhe cravam no calcanhar.
- E qual é a divisa?
- Nemo me impune lacessit. (ninguém me ofende impunemente. N.T.)
- Bonito! - disse ele.

O vinho faiscava-lhe nos olhos e os guizos tilintavam. Minha própria imaginação se aquecia com o Médoc. Havíamos passado diante de paredes de ossos empilhados, entre barris e pipotes, até os recessos extremos das catacumbas. Parei de novo e desta vez e atrevi a pegar Fortunato por um braço acima do cotovelo.

- O salitre! Veja, está aumentado. Parece musgo agarrado às paredes. Estamos embaixo do leito do rio. As gotas de umidade filtram-se entre os ossos. Venha, vamos antes que seja demasiado tarde… Sua tosse...
- Não é nada - disse ele. - Continuemos. Mas antes, dê-me outro gole de Médoc.

Quebrei o gargalo duma garrafa de De Grave e entreguei-lha. Esvaziou-a dum trago. Seus olhos cintilavam, ardentes. Riu e jogou a garrafa para cima, com um gesto que eu não compreendi. Olhei surpreso para ele. Repetiu o grotesco movimento.

- Não compreende? - perguntou.
- Não.
- Então não pertence à irmandade?
- Que irmandade?
- Não é maçom?
- Sim, sim! - respondi. - Sim, sim!
- Você, maçom? Não é possível!
- Sou maçom, sim repliquei.
- Mostre o sinal - disse ele.
- É este - respondi, retirando de sob as dobras de meu rocló uma colher de pedreiro.
- Você está brincando - exclamou ele, dando uns passos para trás. - Mas vamos ver o Amontillado.
- Pois vamos - disse eu, recolocando a colher debaixo do capote e oferecendo-lhe, de novo, meu braço, sobre o qual se apoiou ele pesadamente.

Continuamos o caminho em busca do Amontillado. Passamos por uma série de baixas arcadas, demos voltas, seguimos para a frente, descemos de novo e chegamos a uma profunda cripta, onde a impureza do ar reduzia a chama de nossos archotes a brasas avermelhadas. No recanto mais remoto da cripta, outra se descobria menos espaçosa. Nas suas paredes alinhavam-se restos humanos empilhados até o alto da abóbada, à maneira das grandes catacumbas de Paris. Três lados dessa cripta interior estavam assim ornamentados. Do quarto, haviam sido afastados os ossos, que jaziam misturados no chão, formando em certo ponto um montículo de avultado tamanho. Na parede assim desguarnecida dos ossos, percebemos um outro nicho, com cerca de um metro e vinte de profundidade, noventa centímetros de largura e um metro e oitenta ou dois metros e dez de altura. Não parecia ter sido escavado para um uso especial, mas formado simplesmente pelo intervalo entre dois dos colossais pilares do teto das catacumbas, e tinha como fundo uma das paredes, de sólido granito, que os circunscreviam. Foi em vão que Fortunato, erguendo a tocha mortiça, tentou espreitar a profundeza do recesso. A fraca luz não nos permitiu ver-lhe o fim.

- Vamos - disse eu -, aqui está o amontillado. Quanto a Luchesi...
- É um ignorantaço! - interrompeu meu amigo, enquanto caminhava, vacilante, para diante e eu o acompanhava rente aos calcanhares.

Sem demora, alcançou ele a extremidade do nicho, e não podendo mais prosseguir, por causa da rocha, ficou estupidamente apatetado. Um momento mais e ei-lo acorrentado por mim ao granito. Na sua superfície havia dois anéis de ferro, distando um do outro cerca de sessenta centímetros, horizontalmente. De um deles pendia curta cadeia e do outro um cadeado. Passei a corrente em torno da cintura e prendê-lo, bem seguro, foi obra de minutos. Estava por demais atônito para resistir. Tirando a chave saí do nicho.

- Passe sua mão - disse eu - por sobre a parede. Não deixa de sentir o salitre. É de fato bastante úmido. Mais uma vez permita-me implorar-lhe que volte. Não? Então devo positivamente deixá-lo. Mas é preciso primeiro prestar-lhe todas as pequeninas atenções que puder.

- O Amontillado! - vociferou meu amigo, ainda não recobrado do espanto.
- É verdade - repliquei -, o Amontillado.

Ao dizer estas palavras, pus-me a procurar as pilhas de ossos a que me referi antes. Jogando-os para um lado, logo descobri grande quantidade de tijolos e argamassa. Com estes e com o auxílio de minha colher de pedreiro comecei com vigor, a emparedar a entrada do nicho. Mal havia eu começado a acamar a primeira fila de tijolos, descobri que a embriaguez de Fortunato tinha-se dissipado em grande parte. O primeiro indício disto que tive foi um surdo lamento, lá do fundo do nicho. Não era o choro de um homem embriagado. Seguiu, então, um longo e obstinado silêncio. Deitei a segunda camada, a terceira e a quarta; e depois ouvi as furiosas vibrações da corrente. O barulho durou vários minutos, durante os quais, para maior satisfação, interrompi meu trabalho e me sentei em cima dos ossos. Quando afinal o tilintar cessou, tornei a pegar e acabei sem interrupção a quinta, a sexta e a sétima camada. A parede estava agora quase ao nível de meu peito. Parei de novo e levantando o archote por cima dela, lancei uns poucos e fracos raios sobre o rosto dentro do nicho. Uma explosão de berros fortes e agudos, provindos da garganta do vulto acorrentado, fez-me recuar com violência. Durante um breve momento hesitei. Tremia. Desembainhando minha espada, comecei a apalpar com ela em torno do nicho, mas uns instantes de reflexão me tranqüilizaram. Coloquei a mão sobre a alvenaria sólida das catacumbas e senti-me satisfeito. Reaproximei-me da parede: Respondi aos urros do homem. Servi-lhe de eco, ajudei-o a gritar... ultrapassei-o em volume e em força. Fui fazendo assim e por fim cessou o clamor. Era agora meia-noite e meu serviço chegara a cabo. Completara a oitava, a nona e a décima camadas. Tinha acabado uma porção desta última e a décima primeira. Faltava apenas uma pedra a ser colocada e argamassada. Carreguei-a com dificuldade por causa do peso. Coloquei-a, em parte, na posição devida. Mas então irrompeu                    de dentro do nicho uma enorme gargalhada que me fez eriçar os cabelos. Seguiu-se-lhe uma voz lamentosa, que tive dificuldade de reconhecer como a do nobre Fortunato. A voz dizia:

- Ah, ah, ah!... Eh, eh, eh! Uma troça bem boa de fato… uma excelente pilhéria! Haveremos de rir a bandeiras despregadas lá no palácio... eh, eh, eh!... a respeito desse vinho, eh! eh! eh!
- O Amontillado! - exclamei eu.
- Eh, eh, eh!... Eh, eh, eh!... Sim... o Amontillado! Já não será tarde? Já não estarão esperando por nós no palácio? Minha mulher e os outros? Vamos embora!
- Sim - disse eu. - Vamos embora.
- Pelo amor de Deus, Montresor!
- Sim - disse eu. - Pelo amor de Deus!

Aguardei debalde uma resposta a estas palavras. Impacientei-me. Chamei em voz alta:

- Fortunato!

Nenhuma resposta. Chamei de novo:

- Fortunato!


Nenhuma resposta ainda. Lancei uma tocha através da abertura e deixei-a cair lá dentro. Como resposta ouvi apenas o tinir dos guizos. Senti um aperto no coração... Devido talvez à umidade das catacumbas. Apressei-me em terminar meu trabalho. Empurrei a última pedra em sua posição. Argamassei-a. Contra a nova parede, reergui a velha muralha de ossos. Já faz meio século que mortal algum os remexeu. In pace requiescat!

O gato preto

Para a muito estranha embora muito familiar narrativa que estou a escrever, não espero nem solicito crédito. Louco, em verdade, seria eu para esperá-lo, num caso em que meus próprios sentidos rejeitam seu próprio testemunho. Contudo, louco não sou e com toda a certeza não estou sonhando. Mas amanhã morrerei e hoje quero aliviar minha alma. Meu imediato propósito é apresentar ao mundo, plena, sucintamente e sem comentários, uma série de simples acontecimentos domésticos. Pelas suas consequências, estes acontecimentos, me aterrorizam, me torturaram e me aniquilaram. Entretanto, não tentarei explicá-los. Para mim, apenas se apresentam cheios de horror. Para muitos, parecerão menos terríveis do que grotescos. Mais tarde, talvez, alguma inteligência se encontre que reduza meu fantasma a um lugar comum, alguma inteligência mais calma, mais lógica, menos excitável do que a minha e que perceberá nas circunstâncias que pormenorizo com terror apenas a vulgar sucessão de causas e efeitos, bastante naturais. Salientei-me desde a infância, pela docilidade e humanidade de meu caráter. Minha ternura de coração era mesmo tão notável que fazia de mim motivo de troça de meus companheiros. Gostava de modo especial de animais e meus pais permitiam que eu possuísse grande variedade de bichos favoritos. Gastava com eles a maior parte do meu tempo e nunca me sentia tão feliz como quando lhes dava comida e os acariciava. Esta particularidade de caráter aumentou com o meu crescimento e, na idade adulta, dela extraia uma de minhas principais fontes de prazer. Àqueles que tem dedicado a afeição a um cão fiel e inteligente pouca dificuldade tenho em explicar a natureza ou a intensidade da recompensa que daí deriva. Há qualquer coisa no amor sem egoísmo e abnegado de um animal que atinge diretamente o coração de quem tem tido frequentes ocasiões de experimentar a amizade mesquinha e a fidelidade frágil do simples Homem. Casei-me ainda moço e tive a felicidade de encontrar em minha mulher um caráter adequado ao meu. Observando minhas predileções pelos animais domésticos, não perdia ela a oportunidade de procurar os das espécies mais agradáveis. Tínhamos pássaros, peixes dourados, um lindo cão, coelhos, um macaquinho e um gato. Este último era um belo animal, notavelmente grande, todo preto e de uma sagacidade de espantar. Ao falar da inteligência dele, mulher que no íntimo não tinha nem um pouco de superstição, fazia frequentes alusões à antiga crença popular que olhava todos os gatos pretos como feiticeiras disfarçadas. Não que ela se mostrasse jamais séria preocupação a respeito desse ponto, e eu só menciono isso pelo simples fato de, justamente agora, ter-me vindo à lembrança.

Plutão - assim se chamava o gato - era o meu preferido e companheiro. Só eu lhe dava de comer e ele me acompanhava por toda a parte da casa, por onde eu andasse. Era mesmo com dificuldade que eu conseguia impedi-lo de acompanhar-me pelas ruas. Nossa amizade durou, desta maneira, muitos anos, nos quais, meu temperamento geral e meu caráter - graças à diabólica intemperança - tinham sofrido (coro de confessá-lo) radical alteração para pior. Tornava-me dia a dia mais taciturno, mais irritável, mais descuidoso dos sentimentos alheios. Permiti-me mesmo usar linguagem brutal para com minha mulher. Por fim, cheguei mesmo a usar de violência corporal. Meus bichos, sem dúvida, tiveram que sofrer essa mudança de meu caráter. Não somente descuidei-me deles, como os maltratava. Quanto a Plutão, porém, tinha para com ele, ainda, suficiente consideração que me impedia de maltratá-lo, ao passo que não tinha escrúpulos em maltratar os coelhos, o macaco ou mesmo o cachorro, quando, por acaso ou por afeto, se atravessavam em meu caminho. Meu mal, contudo, aumentava, pois que outro mal se pode comparar ao álcool? E, por fim, até mesmo Plutão, que estava agora ficando velho e, em consequência, um tanto impertinente, até mesmo Plutão começou a experimentar do meu mau temperamento. Certa noite, de volta a casa, bastante embriagado, de uma das tascas dos subúrbios, supus que o gato evitava minha presença. Agarrei-o, mas, nisto, amedrontado com a minha violência ele me deu uma leve dentada na mão. Uma fúria diabólica apossou-se instantaneamente de mim. Cheguei a desconhecer-me. Parecia que a alma original me havia abandonado de repente o corpo e uma maldade mais do que satânica, saturada de álcool, fazia vibrar todas as fibras de meu corpo. Tirei do bolso do colete um canivete, abri, agarrei o pobre animal pela garganta e, deliberadamente, arranquei-lhe um dos olhos da órbita! Coro, abraso-me, estremeço ao narrar a condenável atrocidade. Quando, com a manhã, me voltou a razão, quando, com o sono desfiz os fumos da noite de orgia, experimentei uma sensação meio de horror, meio de remorso pelo crime de que me tornara culpado. Mas era, quando muito, uma sensação fraca e equívoca e a alma permanecia insensível. De novo mergulhei em excessos e logo afoguei no vinho toda a lembrança do meu ato.

Enquanto isso o gato, pouco a pouco, foi sarando. A órbita do olho arrancado tinha, é verdade, uma horrível aparência, mas ele parecia não sofrer mais nenhuma dor. Andava pela casa como de costume, mas, como era de esperar, fugia com extremo terror a minha aproximação. Restava-me ainda bastante de meu antigo coração, para que me magoasse, a princípio, aquela evidente aversão por parte de uma criatura que tinha sido outrora tão amada por mim. Mas esse sentimento em breve deu lugar à irritação. E então apareceu, como para minha queda final e irrevogável, o espírito de perversidade. Desse espírito não cuida a filosofia. Entretanto, tenho menos certeza da existência de minha alma do que de ser essa perversidade um dos impulsos primitivos do coração humano, uma das indivisíveis faculdades primárias, ou sentimentos, que dão direção ao caráter do homem. Quem não se achou centenas de vezes a cometer um ato vil ou estúpido, sem outra razão senão a de saber que não devia cometê-lo? Não temos nós uma perpétua inclinação apesar de nosso melhor bom-senso, para violar o que é a lei, pelo simples fato de compreendermos que ela é a Lei? O espírito de perversidade, repito, veio a causar minha derrocada final. Foi esse anelo insondável da alma, de torturar-se a si próprio, de violentar a sua própria natureza, de praticar o mal pelo mal, que me levou a continuar e, por fim, a consumar a tortura que já havia infringido ao inofensivo animal. Certa manhã, a sangue-frio, enrolei uma corda em seu pescoço e enforquei-o no ramo de uma árvore, enforquei-o com as lágrimas   jorrando-me  dos olhos e com o mais amargo remorso no coração. Enforquei-o porque sabia que ele me tinha amado e porque sentia que ele não me tinha dado razão para ofendê-lo. Enforquei-o porque sabia que, assim fazendo, estava cometendo um pecado, um pecado mortal, que iria pôr em perigo a minha alma imortal, colocando-a - se tal coisa fosse possível - mesmo fora do alcance da infinita misericórdia do mais misericordioso terrível Deus. Na noite do dia no qual pratiquei essa crudelíssima façanha, fui despertado do sono pelos gritos de: "Fogo!" As cortinas de minha cama estavam em chamas. A casa inteira ardia. Foi com grande dificuldade que minha mulher, uma criada e eu mesmo conseguimos escapar ao incêndio. A destruição foi completa. Toda a minha fortuna foi tragada, e entreguei-me desde então ao desespero.

Não tenho a fraqueza de buscar estabelecer uma relação de causa e efeito entre o desastre e a atrocidade, mas estou relatando um encadeamento de fatos e não desejo que nem mesmo um possível elo seja negligenciado. Visitei os escombros no dia seguinte ao incêndio. Todas as paredes tinham caído, exceto uma, e esta era de um aposento interno, não muito grossa, que se situava mais ou menos no meio da casa e contra a qual permanecera a cabeceira de minha cama. O estuque havia, em grande parte, resistido ali à ação do fogo, fato que atribui a ter sido ele recentemente colocado. Em torno dessa parede reuniu-se compacta multidão e muitas pessoas pareciam estar examinando certa parte especial dela, com uma atenção muito ávida e minuciosa. As palavras "estranho, singular" e expressões semelhantes excitaram minha curiosidade. Aproximei-me e vi, como se gravada em baixo-relevo sobre a superfície branca, a figura de um gato gigantesco. A imagem fora reproduzida com uma nitidez verdadeiramente maravilhosa. Havia uma corda em redor do pescoço do animal. Ao dar, a princípio, com essa aparição, pois não podia deixar de considerá-la senão isso - meu espanto e meu terror foram extremos. Mas, afinal, a reflexão veio em meu auxilio. O gato, lembrava-me, tinha sido enforcado num jardim, junto da casa. Ao alarme de fogo, esse jardim se enchera imediatamente de povo e alguém deve ter cortado a corda que prendia o animal à árvore e o lançara por uma janela aberta dentro de meu quarto. Isto fora provavelmente feito com o propósito de despertar-me. A queda de outras paredes tinha comprimido a vítima de minha crueldade de encontro à massa do estuque, colocado de pouco, cuja cal, com as chamas e o amoníaco do cadáver, traçara então a imagem tal como a vimos. Embora assim prontamente procurasse satisfazer a minha razão, senão de todo a minha consciência, a respeito do surpreendente fato que acabo de narrar, nem por isso deixou ele de causar profunda impressão na minha imaginação. Durante meses, eu não me pude libertar do fantasma do gato e, nesse período, voltava-me ao espírito um vago sentimento que parecia remorso, mas não era. Cheguei a ponto de lamentar a perda do animal e de procurar, entre as tascas ordinárias que eu agora habitualmente frequentava, outro bicho da mesma espécie e de aparência um tanto semelhante com que substituí-lo.

Certa noite, sentado, meio embrutecido, num antro mais que infame, minha atenção foi de súbito atraída para uma coisa preta que repousava em cima de um dos imensos barris de genebra ou de rum que constituíam a principal mobília da sala. Estivera a olhar fixamente para o alto daquele barril, durante alguns minutos, e o que agora me causava surpresa era o fato de que não houvesse percebido mais cedo a tal coisa ali situada. Aproximei-me e toquei-a com a mão: era um gato preto, um gato bem grande, tão grande como Plutão, e totalmente semelhante a ele, exceto em um ponto. Plutão não tinha pêlos brancos em parte alguma do corpo, mas este gato tinha uma grande, embora imprecisa, mancha branca cobrindo quase toda a região do peito. Logo que o toquei, ele imediatamente se levantou, ronronou alto, esfregou-se contra minha mão e pareceu satisfeito com o meu carinho. Era pois, aquela a criatura mesma que eu procurava. Imediatamente, tentei comprá-lo ao taverneiro, mas este disse que não lhe pertencia o animal, nada sabia a seu respeito e nunca o vira antes. Continuei minhas carícias, e, quando me preparei para voltar para casa, o animal deu mostras de querer acompanhar-me. Deixei que assim o fizesse, curvando-me, às vezes, e dando-lhe palmadinhas, enquanto seguia. Ao chegar à casa, ele imediatamente se familiarizou com ela e se tornou desde logo grande favorito de minha mulher. De minha parte, depressa comecei a sentir despertar-se em mim antipatia contra ele. Isto era, precisamente, o reverso do que eu tinha previsto, mas - não sei como ou por quê - sua evidente amizade por mim antes me desgostava e aborrecia. Lenta e gradativamente esses sentimentos de desgosto e aborrecimento se transformaram na amargura do ódio. Evitava o animal; certa sensação de vergonha e a lembrança de minha antiga crueldade impediam-me de maltratá-lo fisicamente. Durante algumas semanas abstive-me de bater-lhe ou de usar contra ele de qualquer outra violência; mas gradualmente, bem gradualmente, passei a encará-lo com indizível aversão e a esquivar-me, silenciosamente, à sua odiosa presença, como a um hálito pestilento.

O que aumentou sem dúvida meu ódio pelo animal foi a descoberta, na manhã seguinte à em que o trouxera para casa, de que como Plutão, fora também privado de um de seus olhos. Essa circunstância, porém, só fez aumentar o carinho de minha mulher por ele; ela, como já disse, possuía, em alto grau, aquela humanidade de sentimento que fora outrora o traço distintivo e a fonte de muitos dos meus mais simples e mais puros prazeres. Com a minha aversão àquele gato, porém, sua predileção por mim parecia aumentar. Acompanhava meus passos com uma pertinácia que o leitor dificilmente compreenderá. Em qualquer parte onde me sentasse, enroscava-se ele debaixo de minha cadeira ou pulava sobre meus joelhos, cobrindo-me com suas carícias repugnantes. Se me levantava para andar, metia-se entre meus pés, quase a derrubar-me, ou cravando suas longas e agudas garras em minha roupa, subia dessa maneira até o meu peito. Nessas ocasiões, embora tivesse o desejo ardente de matá-lo com uma pancada, era impedido de fazê-lo, em parte por me lembrar de meu crime anterior, mas principalmente - devo confessá-lo sem demora -, por absoluto pavor do animal. Esse pavor não era exatamente um pavor de mal físico e, contudo, não saberia como defini-lo de outra forma. Tenho quase vergonha de confessar - sim, mesmo nesta cela de criminoso, tenho quase vergonha de confessar que o terror e o horror que o animal me inspirava tinham sido aumentados por uma das mais simples quimeras que seria possível conceber. Minha mulher chamara mais de uma vez minha atenção para a natureza da marca de pêlo branco de que falei e que constituía a única diferença visível entre o animal estranho e o que eu havia matado. O leitor há de recordar-se que esta mancha, embora grande, fora a princípio de forma bem imprecisa. Mas por leves gradações, gradações quase imperceptíveis e que, durante muito tempo, a razão forcejou para rejeitar como imaginárias, tinha afinal assumido uma rigorosa precisão de contorno. Era agora a reprodução de um objeto que tremo em nomear e por isso, acima de tudo, eu detestava e temia o monstro e ter-me-ia livrado dele, se o ousasse. Era agora, digo, a imagem de uma coisa horrenda, de uma coisa apavorante... a imagem de uma forca! Oh, lúgubre e terrível máquina de horror e de crime, de agonia e de morte! E então eu era em verdade um desgraçado, mais desgraçado que a própria desgraça humana. E um bronco animal, cujo companheiro eu tinha com desprezo destruído, um bronco animal preparava para mim - para mim, homem formado à imagem do Deus Altíssimo - tanta angústia intolerável! Ai de mim! Nem de dia nem de noite era-me dado mais gozar a bênção do repouso! Durante o dia, o bicho não me deixava um só momento e, de noite, eu despertava, a cada instante, de sonhos de indizível pavor, para sentir o quente hálito daquela coisa no meu rosto e o seu enorme peso, encarnação de pesadelo, que eu não tinha forças para repelir, oprimindo eternamente o meu coração! Sob a pressão de tormentos tais como estes, os fracos restos de bondade que haviam em mim sucumbiram. Meus únicos companheiros eram os maus pensamentos, os mais negros e maléficos pensamentos. O mau-humor de meu temperamento habitual aumentou, levando-me a odiar todas as coisas e toda a humanidade. Minha resignada esposa, porém, era a mais constante e mais paciente vítima das súbitas, frequentes e indomáveis explosões de uma fúria a que eu agora me abandonava cegamente. Certo dia ela me acompanhou, para alguma tarefa doméstica, até a adega do velho prédio que nossa pobreza nos compelira a ter de habitar. O gato desceu os degraus seguindo-me e quase me lançou ao chão, exasperando-me até a loucura. Erguendo um machado e esquecendo na minha cólera o medo pueril que tinha até ali sustido minha mão, descarreguei um golpe no animal, que teria, sem dúvida, sido instantaneamente fatal se eu o houvesse assestado como desejava. Mas esse golpe foi detido pela mão de minha mulher. Espicaçado por esta intervenção, com uma raiva mais do que demoníaca, arranquei meu braço de sua mão e enterrei o machado no seu crânio. Ela caiu morta imediatamente, sem um gemido.

Executado tão horrendo crime, logo e com inteira decisão entreguei-me à tarefa de ocultar o corpo. Sabia que não podia removê-lo da casa nem de dia nem de noite, sem correr o risco de ser observado pelos vizinhos. Muitos projetos me atravessavam a mente. Em dado momento pensei em cortar o cadáver em pedaços miúdos e queimá-los. Em outro, resolvi cavar uma cova para ele no chão da adega. De novo, deliberei lançá-lo no poço do pátio, metê-lo num caixote, como uma mercadoria, com os cuidados usuais, e mandar um carregador retirá-lo da casa. Finalmente, detive-me no considerei um expediente bem melhor que qualquer um destes. Decidi emparedá-lo na adega, como se diz que os monges da Idade média emparedavam suas vítimas. Para um objetivo semelhante estava a adega bem adaptada. Suas paredes eram de construção descuidada e tinham sido ultimamente recobertas, por completo, de um reboco grosseiro, cujo endurecimento a umidade da atmosfera impedira. Além disso, em uma das paredes havia uma saliência causada por uma falsa chaminé ou lareira que fora tapada para não se diferençar do resto da adega. Não tive dúvidas de que poderia prontamente retirar os tijolos naquele ponto, introduzir o cadáver e emparedar tudo como antes, de modo que olhar algum pudesse descobrir qualquer coisa suspeita. E não me enganei nesse cálculo. Por meio do um gancho, desalojei facilmente os tijolos e, tendo cuidadosamente depositado o corpo contra a parede interna, sustentei-o nessa posição, enquanto, com pequeno trabalho, repus toda a parede no seu estado primitivo. Tendo procurado argamassa, areia e fibra, com todas as precauções possíveis, preparei um estuque que não podia ser distinguido do antigo e com ele, cuidadosamente, recobri o novo entijolamento. Quando terminei, senti-me satisfeito por ver que tudo estava direito. A parede não apresentava a menor aparência de ter sido modificada. Fiz a limpeza do chão, com o mais minucioso cuidado. Olhei em torno com ar triunfal e disse a mim mesmo: "Aqui, pelo menos, meu trabalho não foi em vão!" Tratei, em seguida, de procurar o animal que fora causa de tamanha desgraça, pois resolvera afinal decididamente matá-lo. Se tivesse podido encontrá-lo naquele instante, não poderia haver dúvida a respeito de sua sorte. Mas parecia que o manhoso animal ficara alarmado com a violência de minha cólera anterior e evitava arrostar a minha raiva do momento. É impossível descrever ou imaginar a profunda e abençoada sensação de alívio que a ausência da detestada criatura causava no meu íntimo. Não me apareceu durante a noite. E assim, por uma noite pelo menos, desde que ele havia entrado pela casa, dormi profunda e tranquilamente. Sim, dormi, mesmo com o peso de uma morte na alma.

O segundo e o terceiro dia se passaram e, no entanto, o meu carrasco não apareceu. Mais uma vez respirei como um livre. Aterrorizado, o monstro abandonara a casa para sempre! Não mais o veria! Minha ventura era suprema! Muito pouco me perturbava a culpa de minha negra ação. Poucos interrogatórios foram feitos e tinham sido prontamente respondidos. Dera-se mesmo uma busca, mas, sem dúvida, nada foi encontrado. Considerava assegurada a minha futura felicidade. No quarto dia depois do crime, chegou bastante inesperadamente à casa um grupo de policiais, que procedeu de novo a investigação dos lugares. Confiando, porém, na impenetrabilidade do meu esconderijo, não senti o menor incômodo. Os agentes ordenaram-me que os acompanhasse em sua busca. Nenhum escaninho ou recanto deixaram inexplorado. Por fim, pela terceira ou quarta vez, desceram à adega. Nenhum músculo meu estremeceu. Meu coração batia calmamente, como o de quem dorme o sono da inocência. Caminhava pela adega de ponta a ponta; cruzei os braços no peito e passeava tranquilo para lá e para cá. Os policiais ficaram inteiramente satisfeitos e prepararam-se para partir. O júbilo de coração era demasiado forte para ser contido. Ardia por dizer ao menos uma palavra, a modo de triunfo, e para tornar indubitavelmente segura a certeza neles de minha inculpabilidade.

- Senhores - disse, por fim, quando o grupo subia a escada - sinto-me encantado por ter desfeito suas suspeitas. Desejo a todos saúde e um pouco mais de cortesia. A propósito, cavalheiros, esta é uma casa muito bem construída... (no meu violento desejo de dizer alguma coisa com desembaraço, eu mal sabia o que ia falando). Posso afirmar que é uma casa excelentemente bem construída. Estas paredes... já vão indo, senhores?... estas paredes estão solidamente edificadas. Por simples frenesi de bravata, bati pesadamente com uma bengala que tinha na mão justamente naquela parte do entijolamento, por trás do qual estava o cadáver da mulher de meu coração. Mas praza a Deus proteger-me e livrar-me das garras do demônio! Apenas mergulhou no silêncio a repercussão de minhas pancadas e logo respondeu-me uma voz do túmulo. Um gemido, a princípio velado e entrecortado como o soluçar de uma criança, que depois, rapidamente se avolumou, num grito prolongado, alto e contínuo, extremamente anormal e inumano, um urro, um guincho lamentoso, meio de horror e meio de triunfo, como só do Inferno se pode erguer a um tempo, das gargantas dos danados na sua agonia, e dos demônios que exultam na danação. Loucura seria falar de meus próprios pensamentos. Desfalecendo, recuei até a parede oposta. Durante um minuto, o grupo que se achava na escada ficou imóvel, no paroxismo do medo e do pavor. Logo depois, uma dúzia de braços robustos se atarefava em desmantelar a parede. Ela caiu inteiriça. O cadáver, já grandemente decomposto, e manchado de coágulos de sangue, erguia-se, ereto, aos olhos dos espectadores. Sobre sua cabeça, com a boca vermelha escancarada, o olho solitário chispante, estava assentado o horrendo animal cuja astúcia me induzira ao crime e cuja voz delatora me havia apontado ao carrasco. Eu havia emparedado o monstro no túmulo!

O retrato oval

O castelo cuja entrada meu criado se aventurara a forçar para não deixar que eu passasse a noite ao relento, gravemente ferido como estava, era um desses monumentos ao mesmo tempo grandiosos e sombrios que por tanto tempo se ergueram carrancudos entre os Apeninos, tanto na realidade como na imaginação da Sra. Radcliffe. Segundo todas as aparências, tinha sido temporária e muito recentemente abandonado. Aboletamo-nos em uma das salas menores e menos suntuosamente mobiliadas, localizada num afastado torreão do edifício. Eram ricas, embora estragadas e antigas suas decorações. Tapeçarias pendiam das paredes, adornadas com vários e multiformes troféus de armas, de mistura com um número insólito de quadros de estilo bem moderno em molduras de ricos arabescos de ouro. Por esses quadros, que enchiam não só todas as paredes, mas ainda os numerosos ângulos que a esquisita arquitetura do castelo formava, meu delírio incipiente me fizera talvez tomar profundo interesse. Assim é que mandei Pedro fechar os pesados postigos da sala pois já era noite, acender as velas de um enorme candelabro que se achava à cabeceira de minha cama e abrir completamente as franjadas cortinas de veludo preto que envolviam o leito. Desejei que tudo isso fosse feito, a fim de que pudesse abandonar-me senão ao sono, pelo menos, alternativamente, à contemplação desses quadros e à leitura de um livrinho que encontrara sobre o travesseiro e que continha a critica e a descrição das pinturas. Li, li durante muito tempo e longamente contemplei aqueles quadros.

Rápida e esplendidamente as horas se escoaram e a profunda meia-noite chegou. A posição do candelabro me desagradava e, estendendo a mão, com dificuldade, para não perturbar o sono do criado, coloquei-o de modo a lançar seus raios de luz em cheio sobre o livro. Esse gesto, porém, produziu um efeito totalmente inesperado. Os raios das numerosas velas (pois haviam muitas) caíam agora dentro de um nicho da sala que até então estivera mergulhado na intensa sombra lançada por uma das colunas da cama. E assim vi, plena luz, um retrato até então despercebido. Era o retrato de uma jovem no alvorecer da feminilidade. Olhei rapidamente para o retrato e depois fechei os olhos. Por que isso fizera, eu mesmo não o percebi a principio. Mas, enquanto minhas pálpebras permaneciam fechadas, revolvi na mente a razão de assim ter feito. Era um movimento impulsivo, para ganhar tempo de pensar, para certificar-me de que minha vista não me iludira, para acalmar e dominar a fantasia, forçando-a a uma contemplação mais serena e mais segura. Logo depois, olhei de novo, fixamente para o quadro. Do que então vi claramente não poderia nem deveria duvidar. Porque o primeiro clarão das velas sobre aquele quadro como que dissipou o sonolento torpor que furtivamente se apossava de meus sentidos e sem demora me pôs completamente desperto. O retrato, como já disse, era o de uma jovem. Apenas a cabeça e os ombros, feitos na maneira tecnicamente chamada vignette, e bastante no estilo das cabeças favoritas de Sully. Os braços, o colo, e mesmo as pontas do cabelo luminoso perdiam-se imperceptivelmente na vaga porém profunda sombra formada pelo fundo do conjunto. A moldura era oval, ricamente dourada e filigranada à mourisca. Como obra de arte, nada podia ser mais admirável do que a própria pintura. Mas aquela comoção tão súbita e tão intensa não me viera nem da execução da obra nem da imortal beleza do semblante. Menos do que tudo poderia ter sido minha imaginação que despertada de seu semi-torpor, teria tomado aquela cabeça pela de uma pessoa viva. Vi imediatamente que as peculiaridades do desenho, do trabalho do vinhetista e da moldura deviam ter de pronto dissipado tal idéia, impedido mesmo seu momentâneo aparecimento. Permaneci quase talvez uma hora semi-erguido, semi-inclinado, a pensar intensamente sobre tais pormenores, com a vista fixada no retrato. Por fim, satisfeito com o verdadeiro segredo de seu efeito, deixei-me cair na cama. Descobrira que o encanto do retrato estava na expressão de uma absoluta aparência de vida que a princípio me espantou para afinal confundir-me, dominar-me e aterrar-me. Com profundo e reverente temor, tornei a pôr o candelabro em sua primitiva posição. Afastada assim de minha vista a causa de minha aguda agitação, busquei avidamente o volume que descrevia as pinturas e sua história. Procurando a página que se referia ao retrato oval, li as imprecisas e fantásticas palavras que se seguem:

Era uma donzela da mais rara beleza e não só amável como cheia de alegria. E maldita foi a hora em que ela viu, amou e desposou o pintor. Ele era apaixonado, estudioso, austero e já tinha na Arte a sua desposada. Ela, uma donzela da mais rara beleza e não só amável como cheia de alegria, toda luz e sorrisos, travessa como uma jovem corça; amando com carinho todas as coisas; odiando somente a Arte, que era sua rival; temendo apenas a paleta, os pincéis e os outros sinistros instrumentos que a privavam da contemplação do seu amado. Era pois terrível coisa para essa mulher ouvir o pintor exprimir o desejo de pintar o próprio retrato de sua jovem esposa. Ela era, porém, humilde e obediente, e sentava-se submissa durante horas no escuro e alto quarto do torreão, onde a luz vinha apenas de cima projetar-se, escassa, sobre a alva tela. Mas ele, o pintor, se regozijava com sua obra, que continuava de hora em hora, de dia em dia, e era um homem apaixonado, rude e extravagante, que vivia perdido em devaneios; assim não percebia que a luz que caía tão lívida naquele torreão solitário ia murchando a saúde e a vivacidade de sua esposa, visivelmente definhando para todos, menos para ele. Contudo, ela continuava ainda e sempre a sorrir, sem se queixar, porque via que o pintor (que tinha alto renome) trabalhava com fervoroso e ardente prazer e porfiava, dia e noite, por pintar quem tanto o amava, mas que todavia, se tornava cada vez mais triste e fraca. E, na verdade, alguns que viram o retrato falavam em voz baixa de sua semelhança como de uma extraordinária maravilha, prova não só da mestria como de seu intenso amor por aquela a quem pintava de modo tão exímio. Mas afinal, ao chegar o trabalho quase a seu termo, ninguém mais foi admitido no torreão, porque o pintor se tornara rude no ardor de seu trabalho e raramente desviava os olhos da tela, mesmo para contemplar o semblante de sua esposa. E não percebia que as tintas que espalhava sobre a tela eram tiradas das faces daquela que se sentava a seu lado. E quando já se haviam passado várias semanas e muito pouco a fazer, exceto uma pincelada sobre a boca e um colorido nos olhos, a alegria da mulher de novo bruxuleou, como a chama dentro de uma lâmpada. E então foi dada a pincelada e completado o colorido. E durante um instante o pintor ficou extasiado diante da obra que tinha realizado mas em seguida, enquanto ainda contemplava, pôs-se a tremer e, pálido, horrorizado, exclamou em voz alta: "Isto é na verdade a própria vida. Voltou-se, subitamente, para ver a sua bem-amada... Estava morta!